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Notícias sobre agronegócios, agricultura, pecuária e meio ambiente - 18 de Setembro de 2019
11/09/2013 - 11:12

Artigo: Tempo de pneumonia em bezerras leiteiras

Bezerros com danos permanentes no pulmão, por menores que sejam, não se recuperam completamente, têm capacidade respiratória limitada, tem crescimento retardado. Leia o artigo da védica veterinária, mestre em clínica de ruminantes da Rehagro, Talita Silva.
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Bezerros

No inverno, são grandes as variações de temperatura, que são uma das principais responsáveis pelo aumento de casos de pneumonia em rebanhos leiteiros nesta época. Dentre os animais jovens, bezerros entre 6 e 8 semanas de idade são os mais afetados.

 As pneumonias podem variar de quadros crônicos até casos agudos (de evolução muito rápida) e fatais. Os danos aos pulmões podem ser temporários ou permanentes. Animais com danos temporários têm atraso em seu desenvolvimento, podem não conseguir acompanhar os demais de mesma idade, ficam mais propensos a desenvolver outras doenças e a sofrer mais atrasos no desenvolvimento.

Bezerros com danos permanentes no pulmão, por menores que sejam, não se recuperam completamente, têm capacidade respiratória limitada, tem crescimento retardado e não conseguem expressar todo o seu potencial produtivo. Animais como estes podem ser carreadores de agentes infecciosos importantes, e adoecem com muita frequência. Se possível, eles não devem ser usados para reposição e devem ser descartados.

 A boa notícia é que há como prevenir o aparecimento de pneumonias em bezerras e evitar os prejuízos que ela traz, tanto os que se consegue ver, quanto aqueles não tão perceptíveis.

 Prevenir é muito melhor do que remediar

 • A variação de temperatura nesta época do ano favorece e muito o aparecimento de pneumonias em bezerras, assim como também facilita a ocorrência de problemas respiratórios em humanos. Estratégias para reduzir os efeitos dessas variações em bezerros giram em torno de propiciar um ambiente adequado para eles. Por ambiente adequado entende-se:

  Boas condições de higiene;

 Solo seco, com cobertura vegetal mais alta, em que os bezerros possam se proteger do vento;

 Árvores no entorno do bezerreiro, que possam quebrar o vento;

 Dependendo da região, casinhas que protejam melhor do frio e da chuva, ou que protejam melhor do vento, mas que, ainda assim, garantam boa circulação de ar;

 Individualização dos bezerros, de forma a evitar o contato direto entre eles e a evitar transmissão de doenças;

 A individualização também evitará a competição no cocho e permitirá melhor observação de cada um dos animais. Assim será possível observar melhor o comportamento e a ingestão de alimentos e de água de cada um, de forma a detectar bezerros doentes com maior precocidade.

• A má colostragem também contribui bastante para o aparecimento de pneumonias em bezerras. Isso porque elas dependem da proteção que a mãe passa a eles pelo colostro (imunidade passiva) para ter tempo de desenvolver sua própria imunidade (imunidade ativa). Há um período em que a imunidade ativa ainda não se desenvolveu completamente e em que a imunidade passiva já está em queda. Este é um período inevitável, mas ele acontece mais cedo, e com o bezerro mais despreparado, se houver má colostragem. Quando isso ocorre, o bezerro pode adoecer mais vezes e com maior gravidade.

 A melhor forma de prevenir isso é garantir que os bezerros tomem 3 a 4 litros de colostro de boa qualidade nas primeiras 6 horas de vida dele. E que depois tome o máximo de colostro possível até as primeiras 24 horas de vida.

 • Fatores que afetem o desenvolvimento da resposta imune ativa também favorecem o adoecimento de bezerros. Dentre eles pode-se citar a nutrição inadequada (por exemplo, dar menos leite do que o necessário e não fornecer concentrado desde sempre) e a ocorrência de outras doenças, como tristeza parasitária, diarréias e etc.

 Para prevenir isso, deve-se fornecer pelo menos 6 litros de leite/bezerro/dia, durante, pelo menos, os primeiros 40 dias de vida, além de fornecer concentrado, sal mineral e água limpa a vontade. Também deve-se fazer boa colostragem, boa cura de umbigo, ter um bom ambiente para o bezerro ficar, higienizar muito bem, com água e sabão, todos os utensílios utilizados para alimentar os bezerros; e controlar a população de ectoparasitos, como carrapatos e moscas.

 • Falhas na cura de umbigo são outro fator importantíssimo! Um gesto tão simples como o de curar o umbigo de bezerros de forma adequada certamente evitará grandes transtornos, previnirá a ocorrência de muitas doenças, como a pneumonia, e evitará mortes.

 Para isso, é preciso embeber toda a estrutura do umbigo em iodo 10%, pelo menos 1 vez ao dia, durante os 3 primeiros dias de vida do bezerro. De preferência deve-se colocar o iodo 10% em recipientes, sem retorno, originalmente fabricados para fazer pré e pós dipping e usá-los para embeber o umbigo.

 • A identificação e o tratamento rápido e adequado de animais doentes também são essenciais para evitar maiores prejuízos.

 É importante frisar que o tratamento de pneumonias não se restringe ao uso de antibióticos, mas deve ser feito também de acordo com os sintomas do animal. Ou seja: antiinflamatório, para tentar evitar os grandes prejuízos que as reações inflamatórias causam aos tecidos do pulmão; alimentação adequada, para dar condições do sistema imune do animal responder e defendê-lo; hidratação oral, também para dar condições do sistema imune do animal responder e defendê-lo; e antitérmico, caso haja febre.

 Resumindo, um bom manejo do recém-nascido, garantindo efetiva cura de umbigo e transferência de imunidade passiva; um bom ambiente, boas condições de higiene e instalações adequadas; boa nutrição, sanidade e condições de criação, permitindo o desenvolvimento de uma boa resposta imune ativa, compõem o caminho a ser seguido para a obtenção de menores taxas de adoecimento e de mortalidade de bezerros por pneumonias.

 

 

 

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