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Notícias sobre agronegócios, agricultura, pecuária e meio ambiente - 18 de Setembro de 2019
19/06/2015 - 08:02

Artigo: O olho do dono na calculadora é que engorda o gado

Artigo de autoria do zootecnista, especialista em julgamento das raças zebuínas, diretor técnico da Dstak Assessoria Pecuária e consultor técnico do Departamento Corte da Alta.

A competitividade do mercado e a demanda por produtos diferenciados torna a pecuária cada dia mais exigente na produção do gado de corte para atender o mercado consumidor.

 

Segundo o consultor técnico de corte da Alta, Rafael Mazão, “os criadores que não se adequarem a esta condição com eficiência, automaticamente perderão espaço no mercado. Devido ao valor da terra e custos de produção, a pecuária moderna exige alta produtividade, qualidade e viabilidade econômica. A pecuária deve ser de precisão, e o sinônimo de precisão é melhoramento genético aliado à uma boa gestão de atividade”.

 

Como dizem os mais experientes: “A boa compra faz um bom negócio”.  Ou seja, ao comprar o bezerro ou novilho para recria ou engorda, o bom negócio é feito no ato da compra e irá sustentar a viabilidade com boa gestão e planejamento dos recursos para manter a atividade até a venda. “É fundamental elaborar no projeto “o time” ideal para a realização dos produtos, lucrando em todas as etapas”, afirma Mazão.

 

Com os valores da arroba do bezerro valorizados atualmente, quem não realiza cria no rebanho o ideal é fazer uma boa compra e recriar até o abate, devido ao maior retorno sobre o capital investido.

 

Pecuaristas que realizam somente recria estão escassos e a atividade está muito próxima da “extinção”. Com a evolução da genética e seleção de rebanhos profissionais na atividade de cria, os desmames se aproximam de oito arrobas aos oito meses de idade. Mas, o abate é antecipado desde que o manejo da curta recria e engorda sejam ideais. A genética só responde quando são oferecidas condições nutricionais, sanitárias e conforto aos animais. Portanto, a meta atual é o animal 20/20, ou seja, levar ao frigorífico o animal com 20 arrobas aos 20 meses de idade.

 

Os maiores indicadores do valor da arroba do gado de corte são: o dólar e as exportações. “Infelizmente a valorização não é proporcional, mas reflete na pecuária sempre que existe um cenário favorável ao aumento do dólar e aquecimento das exportações de carne. De fato, a lei da oferta e a demanda interna determinam a regra do preço”, diz Rafael.

 

O Brasil lidera o ranking de maior exportador de carne bovina do mundo desde 2008. Em 2014 exportou 1,24 milhões de toneladas de carne in natura (conservada em seu estado natural), com crescimento de 5% em relação ao ano de 2013, segundo dados da ABIEC – Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne – 2014. “No cenário atual do agronegócio quem comanda é o pecuarista, por mais que a cadeia frigorífica tente intervir, ‘quem dá as cartas’ é o produtor rural”, acrescenta.

 

A oferta do boi gordo está escassa e a demanda por alimento é cada vez mais notória, seja no Brasil ou em países estrangeiros em estado de emergência, como a Índia e a China.

 

O rebanho bovino brasileiro possui 193 milhões de cabeças com genética 80% zebuína. De acordo com dados da ANUALPEC (2013) – Anuário da Pecuária Brasileira, a produção anual é de 53 milhões de bezerros. “Produzir não é a nossa maior dificuldade, mas, sim, fazê-la de forma eficiência e viável”, diz Rafael.

 

Embora os custos de produção tenham aumentado, a comercialização do boi gordo e do bezerro está mais oportuna em comparação aos anos anteriores. No entanto, a boa gestão é inevitável para os melhores rendimentos da atividade.

 

Além disso, a ociosidade da terra (baixa capacidade de suporte e/ou pastagens degradadas) é o fator que agrega o custo ao produto final. A terra representa o maior valor investido na pecuária (R$/ha/ano - real por hectares ao ano) e quando não explorada corretamente torna-se uma vilã para a viabilidade, devido ao grande capital ativo imobilizado com baixo retorno dentro da atividade.

 

A “fórmula” ideal para o sucesso na pecuária de corte é a junção da boa compra de um produto de qualidade, com manejo eficiente, gestão do controle dos custos e planejamento de venda.

 

Considerando a média dos valores estabelecidos para bezerro e boi gordo na região central do Brasil anunciados em junho de 2015, a aquisição de um bezerro pesando 7,5 arrobas aos oito meses de idade, com custo da arroba de R$200,00 ou US$64,5 em relação ao câmbio de R$3,10, este bezerro custaria R$1.500,00.

 

A venda do boi gordo com 20 arrobas, ideal aos vinte meses (ciclo curto), o preço estipulado é de R$2.800,00 ou US$903,20 por cabeça, considerando o valor de R$140,00 por arroba, referência do mesmo período e câmbio da compra do bezerro. A previsão é uma relação de troca de 1,86 bezerros para cada boi gordo vendido.

 

“Atualmente esta relação de troca está em baixa, principalmente, em comparação ao mercado dos últimos cinco anos. O bezerro não era tão valorizado como hoje.Portanto, a eficiência da compra e a gestão da recria e engorda serão responsáveis pela diferença no rendimento líquido ao final da atividade, quando o boi estiver no gancho para venda”, conclui Mazão.


Autor: Rafael Mazão
Zootecnista, especialista em julgamento das raças zebuínas, diretor técnico da Dstak Assessoria Pecuária e consultor técnico do Departamento Corte da Alta.

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19 de Junho de 2015
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