Notícias da Pecuária
Notícias sobre agronegócios, agricultura, pecuária e meio ambiente - 22 de Setembro de 2019
03/06/2013 - 16:18

Artigo: A saída para uma pecuária de ciclo curto

Confira o artigo elaborado pelo Médico Veterinário, Fernando Luís de Souza
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Quando analisamos resumidamente o contexto produtivo de uma fazenda de pecuária de corte, vemos dois caminhos para aumentar a produção de Kg/carne/hectare. O primeiro deles é o incremento na lotação por área e a segunda opção e a busca pelo maior desempenho individual dos animais.

Ambos os caminhos podem ser seguidos, inclusive simultaneamente, no entanto um dos principais fatores presentes na grande maioria das propriedades, que impede a adoção dessas possibilidades, são a baixa capacidade de suporte das pastagens e a reduzida capacidade de investimento.

Quando visualizamos um projeto pecuário que muitas vezes não tem respaldo de uma agricultura integrada ou não tem aporte de recursos financeiros de outras atividades, passamos a enxergar uma maior dificuldade para explorar o caminho do incremento de lotação, principalmente quando se trata de um dos maiores gargalos da pecuária, o inverno, onde estratégias como confinamento precisam ser aderidas.

Falando nesta linha de aumento de lotação, devemos considerar que obrigatoriamente a pecuária entra no contexto de atividades de maior risco principalmente os ligados a fatores climáticos e de mercado.

É preciso então aderir um processo de intensificação, não se esquecendo de que o melhor e mais saudável caminho para intensificar é utilizar ao máximo os recursos que já estão disponíveis na propriedade. O maior patrimônio do pecuarista, depois da terra é o rebanho e esse capital não pode ficar imobilizado por muito tempo, é preciso maximizar o ganho do animal, saindo das 4@ ou 5@/animal/ano para 7@ , 8@ ou ate 10@/animal/ano.

Um produtor do Mato Grosso do Sul, com uma área de 720 hectares de pasto, onde tinha um rebanho de 850 animais de recria e engorda, sentindo a necessidade de produzir mais, buscou alternativas. Os caminhos seriam: aumentar o rebanho na mesma área ou aumentar o desempenho dos animais existentes.

Imaginando um incremento de produção de 50% ele teria que colocar na mesma área mais 425 animais, para isso teria que imobilizar um capital de aproximadamente R$ 500 000,00 para aquisição destes animais e mais uma quantia significativa de dinheiro na melhoraria de sua fazenda para dar suporte ao gado, lembrando que teria um grande desafio em manter o desempenho dos mesmos na faixa das 5@/ano.

Outro caminho seria aumentar em 50% o desempenho dos 850 animais que ele já possuía. Saindo das 5@animal/ano passando para 7,5@ animal ano. Sem sombra de duvida este caminho foi o escolhido pelo produtor, para isso ele passou a adquiri uma genética superior, e principalmente investir em um programa nutricional mais intensivo.


Está analise faz enxergarmos que, o incremento no desempenho individual pode ser a saída mais sustentável para o incremento da produção.

Muitos podem questionar como buscar então, um desempenho individual próximo a 7,5@/animal/ano, ou seja , como abater um boi com idade próxima a 24 meses?

O questionamento passa a ser, o quanto tenho que investir para conseguir este incremento em produção? Hoje o estado de Mato Grosso do sul tem um incentivo da SEPROTUR (Secretaria de produção e turismo) que premia o novilho precoce em ate R$ 45,00 – O produtor eficiente que abate animais jovens pode utilizar este premio para adquirir uma genética melhor, pois no curto prazo este recurso volta para seu bolso.

Quanto ao investimento em nutrição a conta e mais simples ao antecipar em ate 12 meses o abate do animal o produtor deve ter uma economia em custos de manutenção do animal de cerca de R$240,00 (12 meses x R$ 20,00 cab/mês). Uma parte deste investimento pode ser revertido em suplementação e a outra parte já passa a compor o lucro do produtor.

Traçar um plano nutricional ajustado é fundamental, passando a utilizar suplementos proteicos e energéticos o ano todo ao invés de fornecer apenas uma suplementação mineral aos animais, lembrando que o ideal seria não ultrapassar suplementação superior 0,7% do peso vivo, pois esta é a condição ideal para que o pasto, alimento mais barato e eficiente, ainda permaneça como a principal parcela da dieta.

Aumento de gado da fazenda não quer dizer aumento de rentabilidade, principalmente nos dias atuais, onde se fala tanto de degradação dos pastos, situação que se deve não só ao mau uso das pastagens, mas principalmente a essa maior lotação que muitas vezes a fazenda é submetida.

Fica então a nossa dica, intensificar buscando o máximo desempenho animal pode ser a saída mais rentável para a pecuária de pasto.
 
Fernando Luís de Souza (Mota)
Médico Veterinário
Gerente comercial Macal – Soluções em Nutrição Animal
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