Notícias da Pecuária
Notícias sobre agronegócios, agricultura, pecuária e meio ambiente - 20 de Setembro de 2019
06/10/2014 - 10:00

Artigo - Você confina a matemática ou os bois?

A grande maioria das metodologias econômico-financeira-contábeis, utilizadas para apurar os resultados do confinamento, tem gerado leituras equivocadas desse negócio.
Divulgação/ Arquivo pessoal
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Alexandre Carvalho - Engenheiro Agrônomo
Arquivo/ Embrapa Gado de Corte
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Confinamento
Ao adotá-las, estaremos confinando e abatendo a matemática. É preciso deixar a matemática viva, ampliando a nossa visão do "Todo", num âmbito sistêmico. Precisamos rever as técnicas de apuração dos números do negócio confinamento. É necessário resultados realistas para gerarem respostas gerenciais reveladoras; que irão auxiliar nas tomadas de decisão. Afinal de contas, o óleo diesel, por exemplo, jamais será insumo do Confinamento. Ao menos enquanto as reses não ingerirem diesel. Esse combustível, lógico, é insumo de alguns motores de combustão. São os tratores quem bebem óleo diesel. O Negócio Tratores, naturalmente, presta serviço para o Negócio Confinamento, vendendo-lhe Horas-Máquina, a preço de mercado ou preço de custo. Pode-se aproveitar essas duas leituras interessantes. O importante é analisar cada negócio separadamente. Simples assim. Mesmo que esses negócios interativos sejam do mesmo dono. Daí a importância das abordagens: "Caixa" e "Não Caixa". Na primeira, será possível fazer as conciliações com as contas bancárias e apurar quanto realmente sobrou no bolso, no caixa do Confinamento. E ao somar as duas abordagens (caixa e não caixa), verificaremos qual a verdadeira rentabilidade do Confinamento; comparando-o com os outros nove negócios anexos que estão, intrinsecamente, envolvidos com essa proposta de engordar reses dentro de currais.

É preciso atentar para outro fato muito importante para não mascarar a matemática do Confinamento. Temos que encerrar essa polêmica de vez. Veja a confusão: supondo que determinada propriedade não tenha um curral de confinamento, e que o proprietário do imóvel resolva construir essa benfeitoria em suas terras para iniciar esse negócio. Daí vem àquela pergunta básica do inventário inicial: essa benfeitoria recém-construída é um capital imobilizado do negócio confinamento? Seria o Confinamento responsável em arcar com esse investimento durante o prazo do financiamento bancário ou do recurso próprio distribuído, por exemplo, ao longo de 20 anos-safras? Para aqueles que responderam sim, eu lhes pergunto novamente: e se a propriedade for vendida - modalidade porteira aberta - nesse meio tempo? Como fica essa dívida do confinamento, incluindo as depreciações mensais do curral? Será perdoada? Ou alguém vai carregar o curral e bebedouros do confinamento para outro local, haja vista que a fazenda não foi vendida de porteira fechada? Nessa modalidade a gente retira as máquinas, os animais e outros semoventes e bens móveis,  pois só as terras e benfeitorias foram vendidas. Portanto, é lógico que todas as benfeitorias que agregam valor à propriedade são do Negócio Terras & Benfeitorias (TB). E isso inclui o curral de confinamento. Traduzindo, esse investimento nesse curral não deveria ser apropriado para o negócio Confinamento. O que deve ser feito é cobrar, do negócio Confinamento, um aluguel (a preço de mercado) desses currais em questão. Aluguel este, pago ao negócio TB. E isso ocorre muito na prática. Proprietários de terras que arrendam suas estruturas de confinamento para um confinador-investidor. Caso esses dois atores sejam a mesma pessoa (confinador com terras próprias), logicamente, não haverá desembolsos. Apenas dois lançamentos contábeis. Custo Fixo Não Caixa a débito do negócio Confinamento. E Receita Operacional Não Caixa a crédito do negócio TB. Essas duas classes financeiro-contábeis citadas e outras 21 serão de extrema importância para apurar os verdadeiros resultados dos dez negócios: o confinamento em si, seus oito negócios anexos e o décimo negócio, a Administração, necessária para cuidar desse complexo número de oportunidades rurais.

Então qual é o capital imobilizado no Confinamento? As reses? Também não, pois elas giram muito rápido – 70 a 120 dias no máximo. Logo, é capital de giro. Para ser investimento, é preciso que o desembolso dure por mais de um ciclo produtivo. E ciclo produtivo no meio agropecuário é o ano-safra. Sendo assim, o maior capital imobilizado no Negócio Confinamento, são os vagões forrageiros. E por que esses implementos não são do negócio Tratores & Implementos Corriqueiros? Simplesmente, porque não são implementos corriqueiros. Os vagões forrageiros são específicos do negócio Confinamento. Raramente encontraremos prestadores de serviço de Horas-Máquina que têm modernos vagões forrageiros. E a proposta dessa metodologia sugerida é comparar negócios que existam na prática.

Com exceção daqueles confinadores que terceirizam alguns serviços, insumos e matérias-primas; a propriedade que desenvolve o ciclo completo do Confinamento precisa identificar e monitorar outros nove negócios. São eles: Terra & Benfeitorias (TB), pois os currais de confinamento, fixados no solo, os silos trincheira, o prédio da mini-fábrica de ração, o galpão das máquinas e outras benfeitorias, é capital imobilizado do TB, e não do confinamento; // Tratores Pneus e seus Implementos Corriqueiros que alugam os galpões de máquinas do TB e prestam serviços de Horas-Máquina para o confinamento e outros negócios; // Recria de Bovinos – que paga aluguel de pasto para o TB e vende as reses para o Confinamento// Mini-Fábrica de Rações – que aluga o prédio do TB e vende os suplementos sólidos para o Confinamento; // Lavoura Granífera (milho, sorgo, etc) – que paga arrendamento ao TB e vende os grãos para a Mini-Fábrica de Ração. Esta fábrica mistura esses grãos com outras matérias-primas e vende a ração (insumo) para o Confinamento; // Lavoura Forrageira (milho planta, sorgo forrageiro, outros) – que paga arrendamento ao TB e vende as plantas em pé para o negócio Conservação de Forragem; que ensila as forragens (alugando Horas-Máquina do negócio Tratores) e vende o volumoso para o Confinamento; // Colheitadeira de Grãos que colhe os grãos da Lavoura Granífera. A colheitadeira, devido seu elevado investimento, deve ser encarada como um negócio a parte dos “Tratores Pneus & Implementos”; // e por fim, a Administração dos Negócios Rurais – pois para tocar um confinamento é preciso ter uma boa administração e operadores de máquinas comprometidos com as anotações de campo; a fim de contabilizarmos os resultados desses dez negócios citados, incluindo a própria Administração, onde seus gastos (ou seus serviços, já embutido o lucro) deverão ser rateados entre os outros nove negócios citados.

Portanto, os salários dos operadores de máquinas, lona de polietileno, aditivo para ensilagem, depreciação da mini-fábrica de ração (do prédio e dos equipamentos), faca de corte da ensiladeira, óleo diesel, reparo da cordoalha do curral de confinamento. Nada disso é custo do Negócio Confinamento em si.

Se unificarmos a metodologia adequada de apuração dos resultados será possível comparar um confinador com outro, mesmo que um deles tenha terras próprias, e o outro não. E mais, será possível gerar um ranking saudável. Onde confinadores poderão aprender com erros e acertos dos outros. E perceber se realmente compensa, ou não, confinar. Ou se é melhor, por exemplo, focar na Conservação de Forragens e vender silagens para os confinadores que não fazem a conta correta. Uma coisa é certa, o negócio Conservação de Forragens é bem menos arriscado que o Confinamento. Quanto aos resultados de cada, só monitorando e analisando para saber.

Autor: Alexandre Carvalho - Engenheiro Agrônomo CREA 6942/D-GO.

alexandre@agileconsultancy.com.br
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