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Notícias sobre agronegócios, agricultura, pecuária e meio ambiente - 20 de Julho de 2019
28/03/2013 - 11:08

Artigo - Sexagem fetal equina através da ultra-sonografia

As biotecnologias reprodutivas são ferramentas voltadas ao aumento e à melhora genética dos plantéis. Após a liberação da inseminação artificial e da transferência de embriões pela raça Crioula, os profissionais da área da reprodução tiveram a possibilidade de prestar serviços mais especializados, visando a obtenção de melhores resultados.
Fernando Paixão
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Figura 1
Fernando Paixão
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Figura 2
Divulgação
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Fernando Paixão, Médico Veterinário.
O sucesso destas biotécnicas faz com que o criador seja motivado a investir, havendo assim um elo de confiança e credibilidade com o mercado da reprodução equina. Nesse contexto de inovações na prestação de serviços reprodutivos na raça Crioula, outra técnica inovadora pode ser utilizada com facilidade para a determinação do sexo do potro ainda durante a gestação, a sexagem fetal através da ultra-sonografia.

O conhecimento do sexo do potro que virá a nascer poderá influenciar diretamente algumas decisões do criador, como a compra e venda de gestações de sexadas, insistência ou não em determinados cruzamentos, inclusão ou não de uma égua em remates, enfim, o próprio mercado acabará adaptando-se às possíveis aplicações desta técnica.

A sexagem fetal não é uma ferramenta amplamente utilizada na espécie equina, muito em função de seu desconhecimento por criadores, o que implica na necessidade expor a técnica e esclarecer suas vantagens e desvantagens.

Os primeiros relatos sobre a sexagem fetal em equinos são de Curran & Guinter (1989), onde os autores observaram a migração do tubérculo genital fetal. Tal técnica é amplamente utilizada até hoje, principalmente em bovinos. No entanto, devido às dificuldades de sua aplicação em equinos, outros autores desenvolveram a técnica de determinação do sexo fetal pela avaliação das gônadas (Renaudin et al, 1997). Atualmente, estas são as duas técnicas utilizadas comercialmente.

Para a realização do exame é necessário experiência com a técnica, entendimento do desenvolvimento fetal, um bom equipamento de ultrassom, um bom tronco de contenção em um local calmo e de preferência com pouca luz, tranquilizantes em casos de animais nervosos, além de paciência e tempo, visto que muitas vezes a estática fetal pode não colaborar, podendo este exame ser um pouco mais demorado do que os exames de rotina.

A sexagem através do tubérculo genital é realizada entre os dias 55 e 70 de gestação. O tubérculo genital é a estrutura precursora do pênis nos machos e do clitóris nas fêmeas. Com o crescimento fetal esta estrutura migra de acordo com o sexo do feto, posicionando-se próximo à inserção do cordão umbilical no caso dos machos, ou à cauda no caso das fêmeas. Após o 55º dia de gestação o tubérculo já migrou o suficiente para que a identificação do sexo seja realizada.

Esta técnica é amplamente utilizada em bovinos. No entando, nos equinos a visualização do tubérculo genital pode ser um pouco mais complicada, visto que neste período a vesícula gestacional apresenta grande quantidade de liquido alantoidiano, que somado ao comprimento do cordão umbilical, faz com que o feto apresente muita mobilidade, o que pode prejudicar a identificação das estruturas.

Após o 70º dia de gestação a visualização da parte posterior do feto pode torna-se mais difícil, e por volta do 80º dia, devido ao peso dos liquidos fetais, o útero é projetado para a cavidade abdominal, fazendo com que o feto posicione-se na porção mais ventral do útero, tornando difícil até mesmo sua visualização. Por volta dos 100º dia de gestação, novamente é possível a visualização do feto, e a partir deste momento a sexagem pode ser realizada pela identificação das gônadas e da genitália externa do feto.

As gônadas fetais aumentam consideravelmente seu tamanho entre o 90º e 270º dia de gestação, apresentando-se maiores do que os ovários da própria égua no estágio final de crescimento. Tal fato ocorre devido à uma hipertrofia e hiperplasia das células intersticiais da camada medular da gônada, as quais são semelhantes nos testículos ou ovários.

Durante os dias 110 e 150 de gestação, concomitante ao crescimento gonadal, o acesso ao feto é feito com facilidade através da ultra-sonografia trans-retal, permitindo a visualização da gônada e da genitália externa, tornando possível a realização da sexagem fetal.

Nos machos é possível a visualização da gônada (testículo) dentro da cavidade abdominal, a qual apresenta forma oval, textura homogênea e em certos casos é possível observar uma linha hiperecogênica em seu interior. A observação do pênis e do prepúcio também são pontos que auxiliam no diagnóstico. 

Assim como nos machos, a gônada feminina também encontra-se na cavidade abdominal e apresenta forma oval, porém a no seu interior observa-se uma estrutura circular ecogênica, o que representa a divisão das camadas cortical e medular do ovário. Na fêmea a genitália externa observada é o clitóris e úbere.

Após os 150 dias de gestação o feto assume uma posição anterior, o que impossibilita o acesso à região onde se localizam as gônadas fetais. Nestes casos existe a possibilidade da ultra-sonografia trans-abdominal. No entanto, para a realização deste exame, além da raspagem dos pêlos da região abdominal da égua, é necessário a utilização de um transdutor de 3,5 MHz (ou inferior), enquanto que, nas outras técnicas utiliza-se o mesmo transdutor dos exames reprodutivos de rotina (5 MHz).

A técnica de sexagem fetal através da ultra-sonografia é uma ferramenta de fácil aplicação e de grande utilidade para a criação de equinos. No entanto, o sucesso desta técnica está diretamente relacionado ao treinamento do técnico e ao equipamento utilizado.
 
FIGURA 1 - Feto feminino com 132 dias de gestação. Corte transversal da gônada, sendo possível observar a divisão das porções cortical e medular por uma linha ecogênica.
 
FIGURA 2 - Feto masculino com 119 dias de gestação. Corte transversal da gônada, sendo possível observar a textura homogênea da gônada masculina.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CURRAN, S.S.; GINTHER, O.J. Ultrasonic diagnosis of equine fetal Sex by location of the genital tubercle. J.Equine Vet. Sci., vol. 9, pg. 77-83, 1989.

RENAUDIN, C.D.; GILLIS, C.L.; TARANTAL, A.F. Transabdominal combined with transrectal ultrasonographic determination of equine fetal gender during midgestation, AAEP proceedings, vol 43, 1997.
 
Autor: Fernando Paixão Lisboa
Médico Veterinário formado pela Universidade Federal de Pelotas, atualmente mestrando em Reprodução Animal pela UNESP - Botucatu/SP com ênfase em biotecnologia do sêmen. 
 
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