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Notícias sobre agronegócios, agricultura, pecuária e meio ambiente - 24 de Junho de 2017
08/11/2016 - 11:16

Artigo - Fatores nutricionais que levam a doenças ortopédicas no desenvolvimento de potros

Confira o artigo de Thiago Centini, médico veterinário, Mestre em nutrição e fisiologia do exercício de equinos e Coordenador Técnico de Equinos da Premix.
Thiago Centini
Divulgação/Assessoria de Imprensa
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Thiago Centini
Os distúrbios ortopédicos podem ser advindos de vários fatores, sendo eles hereditários ou adquiridos. Normalmente, estes distúrbios são chamados de DODs (Distúrbio Ortopédico do Desenvolvimento), os quais podem interferir no desenvolvimento da formação dos ossos (ossificação endocondral) e nas articulações dos potros. 

São conhecidos quatro tipos de distúrbios ortopédicos: a Osteocondrose, que é uma deformidade ou alteração na formação óssea, com lesões subcondrais ou cística e/ou osteocondrite dissecante; as Deformidades Angulares, que são os desvios ósseos; as Deformidades Flexurais e as Fisites, que é a infiltração da fise óssea.

 Diversos fatores podem contribuir para a formação destes distúrbios ortopédicos. Entre eles destacam-se a hereditariedade, que é genética; a nutrição, quando há excesso energético na dieta; o exercício físico precoce; traumas e disfunções hormonais, como o hipotireoidismo. 

Entre os fatores hereditários, pode-se considerar as raças de maior porte, que tendem a desenvolver o DOD, justamente por causa do seu tamanho. Outro fator pode ser problema de conformação, massa corpórea e estrutura óssea exacerbada. Isto ocorre em função do excesso de pressão nas placas de crescimento ósseo. 

A nutrição errônea também está entre os principais fatores de desenvolvimento de DODs. O fornecimento de dietas ricas em energia pode acelerar o crescimento ósseo, fazendo com que o processo de multiplicação e diferenciação celular cartilaginosa seja insuficiente, provocando uma falha na ossificação endocondral, além de deixar a placa óssea metafisária espessada e com baixa superfície cartilaginosa, que faz com que os tecidos moles adjacentes não consigam acompanhar o crescimento ósseo. 

Um outro aspecto que favorece o desenvolvimento de DODs está relacionado ao fornecimento inicial de ração aos potros, que ocorre quando eles estão sendo aleitados, no máximo com três meses de idade. Isto é fundamental, já que o leite fornecido pela égua não é mais nutricionalmente eficaz e o potro poderá não ter uma perda significante de peso ao desmame. Quando o potro não está acostumado à ingestão de ração e, ao ser desmamado começa a perder peso, automaticamente o seu dono irá aumentar a quantidade de ração, na intenção de um ganho compensatório, ou seja, ganha peso de uma vez só rapidamente. Este é um dos piores momentos para potro, pois o ganho de peso e o seu crescimento são abruptos, levando ao início de DODs. 

O desbalanço mineral está ligado não somente à dieta (ração/volumoso), mas também à capacidade de sua absorção pelo organismo. Muitas dietas contêm baixos níveis de minerais ou até mesmo níveis adequados. Porém, a digestibilidade é baixa e a quantidade suficiente para manutenção do animal não está sendo absorvida. Se ele ainda estiver em crescimento, existe a possibilidade de sofrer alterações em seu desenvolvimento. 

Os minerais relacionados a calcificação endocondral são cálcio, fósforo, zinco e cobre. O excesso de fósforo na dieta imobiliza a utilização de cálcio pelo organismo. Existe uma relação de 2:1 que deve ser preservada (cálcio/fósforo). O cálcio é fundamental para todo o processo de ossificação e a sua falta pode gerar DOD. O consumo insuficiente de cobre também é prejudicial à formação óssea, já que este está envolvido na estabilização do colágeno e na síntese de elastina óssea. A sua deficiência pode levar às fisites e contraturas de tendões flexores. A ingestão excessiva de zinco diminui a absorção de cálcio e cobre, que também está intimamente ligada às doenças do desenvolvimento. 

Sendo assim, podemos concluir que a prevenção das doenças ortopédicas do desenvolvimento começa com uma boa alimentação da égua na sua fase de prenhez, quando é necessária uma dieta contendo um nível maior de proteína e qualidade de minerais, a fim de produzir um leite de boa qualidade e nutritivo para o potro, tendo um volumoso de qualidade e suplementação mineral diária. 

Porém, devemos evitar a obesidade nas éguas, que pode contribuir para a formação das deformidades angular e flexural devido à diminuição de espaço intrauterino. Por isso, é importante, no caso de uso de receptoras, que o porte delas seja suficientemente adequado para gerar o embrião de doadoras de porte grande. Isso também pode interferir no desenvolvimento do potro ainda durante a fase gestacional e levar a defeitos flexurais e angulares ao nascimento. 

A prevenção destas intercorrências deve ocorrer logo aos 30 dias de idade, com o início de arraçoamento, seguindo até os 18 meses, utilizando para isto produtos apropriados para o potro em seu desenvolvimento e que tenha alta digestibilidade. 
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